Acordou. Portas do guarda-roupa abertas, roupas pelo chão, livros em cima da cama, a janela entreaberta. Apenas ouvia-se aquele impertin...

Só mais uma vez

13:06 Islanya Gomes 6 Comentários



Acordou. Portas do guarda-roupa abertas, roupas pelo chão, livros em cima da cama, a janela entreaberta. Apenas ouvia-se aquele impertinente zunido de mosquitos, que ao percebê-los deu graças aos céus por não serem gritos. Não sabia quando tempo tinha dormido, nem lembrava a hora em que deitou ali, as lembranças estavam vindo aos pouquinhos. Quisera saber como aquela bagunça tinha alojado-se no seu quarto, no canto mais ''dela" do mundo, o canto em que ela fazia questão de deixar tudo arrumado (ou pelo menos com uma aparência de arrumado) para poder esquecer-se da bagunça que existia além da porta de seu quarto e além da porta de sua casa.

Veio à mente o furacão que deixou tudo aquilo daquela forma, era uma mistura de flashes rápidos na sua mente: gritos, portas batendo-se violentamente, choros contidos, malas sendo feitas, um pedido; "fica". Enquanto bocejava e percebia ao olhar no espelho o quanto sua face estava inchada, chegou à conclusão de que ultimamente não tem sabido muito bem se têm pesadelos enquanto dorme, ou se dorme para fugir dos pesadelos. "É, talvez seja a segunda opção", pensou. Tinhas mais um dia para enfrentar, mais tristezas para disfarçar, mais lutas para travar, mas só ela sabia o quanto estava sendo difícil suportar. E o mais curioso é que a dor não se continha em estar somente por dentro dela, mas fazia questão de transbordar, de mostrar sinais em seu corpo. Não lembrava a última vez que vestiu um número tão pequeno assim. Dizia à todos que estava ótima daquela maneira, o que até causava inveja entre suas colegas. Mas ela queria mesmo era falar que tinha medo. Medo de alguma forma sumir, medo do seu corpo não conseguir mais segurar a depressão mascarada. Os ossos das costas! Ah! Doía cada pedacinho, ao ponto de passar noites em claro. Mas até que tinha um lado bom... Dizem que para não sofrer com uma dor, você precisa sofrer com outra. Era isso que acontecia.

Porém sempre havia aqueles momentos que contava as horas para chegar. Como se fosse para um lugar onde tudo seria afogado em um mar de esquecimento, onde podia descansar, era seu porto, seu farol. Mas naquele momento a culpa pesou, como sempre pesava. E só conseguia enxergar desespero. Ela queria salvar-se de si mesma, queria parar de ouvir as vozes que a rondavam, que a faziam ter medo de viver. Só precisava encontrá-Lo, só precisava ouví-Lo. Ela tinha plena consciência de que o processo ia durar e durar... Mas Ele plantou nela uma esperança. A esperança de que a dor, mesmo que fosse pesada demais, iria embora aos poucos. As aflições estarão sempre por perto, mas Ele a mostrou que venceu o mundo. E que nunca a abandonaria. Nunca deixaria de segurá-la! Era a única certeza que tinha, a única coisa que o sofrimento não conseguia roubar dela. Colocou os livros no lugar, tirou as roupas que estavam na mochila e também as que estavam espalhados no chão e sentiu que poderia tentar mais uma vez. Permitiu-se enfrentar a dor novamente, só daquela vez...


6 comentários:

  1. Temos que ser forte, mesmo que venha as lutas as aflições,não podemos deixar de ter esperança, Islanya beijos.

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  2. Que texto lindo, adorei <3 Ter esperança sempre!


    www.tekatecla.com

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  3. Amei seu texto e a mensagem que passou. Parabéns pela escrita, amei. Já estou indo conhecer mais do blog❤
    Beijos

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